Um “Super El Niño” está chegando? O que diz a ciência
O El Niño, fenômeno climático que aumenta temporariamente a temperatura global, está voltando. E, dessa vez, ele pode vir de forma especialmente forte, o que aumenta as chances de eventos climáticos extremos pelo mundo, como enchentes e incêndios.
Há 82% de chances do fenômeno ocorrer entre maio e julho deste ano, segundo a mais nova atualização da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), uma instituição de pesquisa federal dos Estados Unidos. Até dezembro, as chances de ele se desenvolver são de 96%. Ou seja: sua chegada está quase certa. O que ainda está em aberto é sua intensidade.
Segundo o mesmo relatório, há 37% de chances de esse El Niño ser do tipo “muito forte”. Nessa categoria, chamada às vezes de “Super El Niño” de forma não oficial, as águas do Pacífico aumentam 2 ºC ou mais de sua temperatura normal, e os eventos climáticos extremos ficam mais frequentes e ainda mais extremos.
O último El Niño ocorreu entre 2023 e 2024 e contribuiu para a tragédia ambiental no Rio Grande do Sul, com recorde de enchentes, e também trouxe seca e fome para o sul da África, além de ter ajudado a colocar 2024 no topo da lista de anos mais quentes já registrados pela humanidade. E ele nem foi considerado um “super” pela maioria das agências climáticas. O mais recente desse tipo aconteceu em 2015 e 2016.
“O Menino” é um fenômeno climático natural e complexo que ocorre em intervalos de dois a sete anos. De forma simplificada, ele acontece quando as águas equatoriais do oceano Pacífico esquentam anormalmente por causa de mudanças no padrão dos ventos.
O fenômeno oposto é causado pelo resfriamento dessas mesmas águas e é conhecido como “La Niña”. Esses irmãos se intercalam em intervalos mais ou menos irregulares, com períodos considerados “neutros” entre eles.
Acompanhar a temperatura das águas do Pacífico é, então, uma forma de tentar prever os fenômenos. Quando elas começam a esquentar, como é o caso agora, indicam que um El Niño está chegando. Quanto mais temperatura, mais intensos tendem a ser seus possíveis efeitos.
É difícil cravar as datas e a intensidade desses eventos, claro, e por isso cientistas usam probabilidades em porcentagens para falar sobre o El Niño. Institutos de pesquisa diferentes podem ter resultados distintos, dependendo da metodologia.
Atualmente, estamos em condições “neutras”, sem El Niño ou La Niña. A última La Niña, considerada fraca, acabou em 2025 após poucos meses de duração.
Se um “super El Niño” de fato chegar, as consequências podem ser muito negativas – e imprevisíveis.
Apesar de o fenômeno ser natural e ocorrer há milhares de anos, o aquecimento global causado pelos humanos intensifica seus efeitos.
Áreas distintas do globo sofrem de efeitos diferentes em épocas de El Niño. Algumas enfrentam secas – é o que tende a acontecer no Norte e Nordeste brasileiros. Outras passam por chuvas intensas e riscos de enchentes, como no Sul do Brasil. Quanto mais forte um El Niño, mais provável é a ocorrência de eventos extremos, com consequências possivelmente desastrosas


