Trump ouve discurso de Lula numa sala reservada da ONU
Risco à economia dos EUA fez Trump mudar sua postura sobre Lula e o Brasil
A estratégia de Donald Trump para o Brasil não estava funcionando. Em vez de ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a evitar a prisão ou a ser autorizado a concorrer novamente em 2026, uma enxurrada de tarifas e sanções dos EUA estava tendo o efeito oposto — acelerando a condenação de Bolsonaro e aumentando a popularidade de seu rival, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A resposta mais provável é que Trump quer diminuir a temperatura em relação ao Brasil, mas apenas um pouco. O presidente agora parece entender, graças a Grenell e outros, que não há um caminho realista para que Jair Bolsonaro seja autorizado a concorrer à presidência no próximo ano. Seus problemas legais são muito graves e seu apoio político em Brasília é muito fraco — uma realidade que até mesmo os bolsonaristas mais leais admitem em particular. Por outro lado, Trump nunca abandonaria a família Bolsonaro, muito menos admitiria a derrota. Especialmente em um caso em que Trump vê fortes paralelos com a chamada “caça às bruxas” que ele mesmo enfrentou nos Estados Unidos.
Um meio-termo poderia ser manter as tarifas sobre o Brasil em 50%, mas adicionar à já longa lista de produtos isentos. As sanções da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa seriam mantidas — mas não ampliadas para incluir outros juízes e políticos, pelo menos por enquanto.
Juntas, essas medidas ajudariam a proteger a economia dos EUA e salvariam um pouco da dignidade de ambos os lados. Mas também manteriam a pressão sobre Lula, o Congresso brasileiro e o Supremo Tribunal Federal para que mostrassem alguma clemência com Bolsonaro e seus apoiadores — reduzindo as penas de prisão, aprovando algum tipo de lei de anistia ou talvez permitindo que o ex-presidente, que está com a saúde debilitada, cumpra sua pena em prisão domiciliar.
Os diplomatas têm razão em estar nervosos: o caminho para a distensão é difícil. Ambos os presidentes acreditam sinceramente que são os defensores da democracia. Ambos ainda têm muitos assessores que os incentivam a lutar. Ambos têm temperamentos notórios. Se Lula tentar dar uma lição a Trump, ou simplesmente o irritar em uma conversa mais longa do que os “39 segundos” que Trump diz que passaram juntos na ONU, tudo pode acontecer. Enquanto isso, mesmo para um acordo tão modesto, Trump exigirá um troféu de guerra.


