Pastor admite ter recebido BMW e Rolex de investigado na “Farra do INSS”
ONDE ESTÁ A JUSTIÇA DESTE PAÍS ? UMA TROPA DE CORRUPTOS NUM PAÍS SEM LEI
O pastor César Belluci, líder da Sete Church, admitiu ter recebido um carro BMW e um relógio Rolex do empresário Felipe Macedo Gomes, investigado pela Polícia Federal por participação no esquema conhecido como “Farra do INSS”, que teria causado prejuízos milionários a aposentados e pensionistas em todo o país.
De acordo com registros consultados pela reportagem, a BMW X3 azul, modelo 2013/2014, continua vinculada a uma das companhias de Gomes. O veículo é avaliado em cerca de R$ 80 mil, segundo a Tabela Fipe. Já relógios Rolex do mesmo modelo são encontrados na internet por valores que variam entre R$ 30 mil e R$ 70 mil.
Belluci relatou ainda que, após o retorno do empresário à igreja, o Rolex foi novamente entregue a ele e posteriormente repassado a outra pessoa. “Guardei por um tempo e depois abençoei alguém com o presente. Nunca tive intenção comercial com aquilo”, disse.

Belluci, porém, nega qualquer irregularidade. “A igreja não é instrumento para lavar dinheiro. As contribuições são voluntárias e cada fiel decide o que deseja ofertar”, afirmou.
O pastor disse ainda que não sabia em que ramo o empresário atuava e que o recebia “como qualquer outro membro”. “A igreja é um lugar de acolhimento, um hospital espiritual. Todos são bem-vindos, independentemente de seus erros ou acertos”, declarou.
O empresário e o esquema dos R$ 700 milhões
A investigação da Polícia Federal aponta Felipe Macedo Gomes, 35 anos, como um dos principais articuladores da “Farra do INSS”. Ele é presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das quatro associações suspeitas de realizar descontos indevidos em aposentadorias, mediante o pagamento de propina a servidores públicos.
Documentos mostram que a Amar Brasil firmou convênio com o INSS em agosto de 2022, nos últimos meses do governo Bolsonaro. Durante sua gestão, a Amar Brasil saltou de poucas centenas para quase 200 mil filiados em tempo recorde. Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que o grupo mantinha empresas de marketing digital e captação de crédito, que ofereciam simultaneamente empréstimos consignados e descontos associativos — o que, segundo investigadores, configurava uma “dupla engrenagem de fraude”.
O cruzamento de dados da CGU também aponta que a fintech RendBank, controlada por Gomes, recebeu repasses diretos das contas das associações, em um modelo que misturava negócios financeiros, entidades sociais e corrupção ativa.

