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Ministros do STF apostam no governo para derrubar pedido de impeachment e minimizam relatório da CPI

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, estão entre os citados no relatório da CPI do Crime Organizado Foto: Wilton Junior/WILTON JUNIOR  reportagem: jornal Estadão.
BRASÍLIA — Em caráter reservado, parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirma não acreditar que o relatório da CPI do Crime Organizado tenha potencial para resultar no impeachment de integrantes da Corte. A avaliação deles é que faltam elementos para justificar a abertura de processo de afastamento no Senado contra o grupo.
O texto considera que Alexandre de MoraesDias Toffoli e Gilmar Mendes cometeram crime de responsabilidade em relação a fatos ligados ao Banco Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também foi alvo de pedido de impeachment no relatório. Os ministros acusados não comentaram o teor do documento.
O primeiro a se manifestar publicamente foi Flávio Dino, que saiu em defesa dos colegas em uma postagem no Instagram: “Posso e devo registrar a minha solidariedade pessoal aos colegas alvo de injustiças”. “Atualmente há, por parte de alguns, o equívoco de apontar o STF como o ‘maior problema nacional’. É um imenso erro, para dizer o mínimo. Friso: gigantesco erro histórico, que exige uma melhor reflexão quanto às consequências”, escreveu.

Mais tarde, subiu o tom e acusou Alessandro Viera de envolvimento com a milícia. “É curioso. Ele se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus. Mas só esse fato narrado mostra exatamente que nós descemos muito na escala das degradações”.

Na sessão da Segunda Turma do STF, Dias Toffoli afirmou que o relatório da CPI tem caráter eleitoreiro. “Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando as instituições, para obter voto e conspurcar o voto do eleitor. Porque é disso que se trata, quando surge um relatório aventureiro desse. É tentativa de obter votos”, declarou.

Integrantes do Supremo preferem não articular diretamente com parlamentares a derrubada do texto. Eles apostam na atuação do governo federal, que se movimenta neste sentido há semanas. Nos bastidores, integrantes da base governista no Congresso e representantes do Palácio do Planalto tentam uma mudança na composição da CPI para garantir maioria contrária ao relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Toffoli foi incluído no relatório pela atuação como relator das investigações sobre o Master no STF. Entre os atos listados, estão medidas consideradas “atípicas” — como a imposição de alto grau de sigilo ao processo e a ordem para bens apreendidos serem abrigados no tribunal. Além disso, um fundo ligado a Daniel Vorcaro comprou a participação da família de Toffoli em um resort no Paraná, como revelou o Estadão.
Em sua defesa, o ministro já declarou que tornou o andamento processual público. Também disse que parte do processo foi mantida em sigilo para garantir a eficácia das investigações.

Moraes foi citado no relatório principalmente pelas conversas registradas com Vorcaro no mesmo dia que o banqueiro foi preso pela primeira vez. Teria, também, tentado obter informações sobre o Master com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O ministro também já negou as acusações.

Gilmar é mencionado no documento por decisões que suspenderam as quebras de sigilo da empresa de Toffoli e do fundo do cunhado dele, Fabiano Zettel.

Gonet aparece no relatório por ter cometido “desídia no cumprimento das atribuições”, por não ter atuado contra os ministros do Supremo supostamente envolvidos no caso Master.  Fonte: Jornal estadão