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Comunidade judaica repudia nova fala de Lula em que ele chama Benjamin Netanyahu de ‘extremista’

Presidente brasileiro chamou conflito de ‘genocídio’ e disse que reação de Israel tem sido mais grave que os ataques terroristas

Representantes da comunidade judaica voltaram a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste sábado (2), após uma nova fala do petista em que ele critica o posicionamento de Israel na guerra na Faixa de Gaza. Em entrevista dada à margem da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climáticas (COP28), Lula chamou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de “pessoa extremista” e disse que a reação de Israel tem sido “mil vezes mais grave do que os terroristas fizeram”.

O presidente ainda afirmou que o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas “não se trata de uma guerra tradicional, mas de um genocídio, que mata milhares de crianças e mulheres”.

A Confederação Israelita do Brasil (Conib) emitiu um novo comunicado, neste sábado (2), lamentando as declarações do presidente Lula em que ele compara as ações de defesa de Israel a genocídio. “É uma acusação falsa que, vinda do presidente da República, ganha dimensões ainda mais graves. A Conib mais uma vez pede serenidade e equilíbrio às autoridades neste momento tão tenso e doloroso, com aumento de manifestações antissemitas no Brasil e no mundo”, disse.

O recorrente posicionamento de Lula tem desagradado à comunidade judaica, que, em ocasiões anteriores, já havia manifestado o descontentamento e o temor de que houvesse um abalo nas relações diplomáticas.

“É uma pena que o governo do Brasil, diante da tragédia da guerra, perca o equilíbrio e a ponderação, reduzindo a possibilidade de contribuir de maneira decisiva e propositiva com negociações entre as várias partes no conflito”, manifestou-se anteriormente o Instituto Brasil Israel (IBI). Segundo a entidade, a acusação feita pelo presidente “reforça os extremistas de ambos os lados e enfraquece as partes que lutam por um futuro de coexistência para israelenses e palestinos”.

Articulações

No mesmo dia em que a entrevista foi ao ar, Lula havia se encontrado com o presidente de Israel, Isaac Herzog, ocasião em que foi discutida a libertação de reféns ainda mantidos pelo grupo terrorista Hamas

“Falei com eles sobre como o Hamas viola flagrantemente os acordos de cessar-fogo e repeti a exigência de pôr a libertação dos reféns no topo da agenda da comunidade internacional, juntamente com o respeito pelo direito do Estado de Israel de se defender”, escreveu o presidente israelense nas redes sociais.

  • guerra entre Israel e o Hamasjá tem mais de um mês. Em 7 de outubro, o grupo terrorista palestino lançou um ataque-surpresa ao sul de Israel, onde realizou massacres e sequestrou reféns. O Estado judeu respondeu com bombardeios incessantes à Faixa de Gaza, que já deixaram mais de 10 mil mortos, e cerco total ao território palestino. Mas, ainda assim, o Hamas continua contra-atacando. Veja a seguir cinco pontos, listados pelo jornal local Yediot Ahronot, para entender de que forma o Hamas resiste aos ataques israelenses:

Nesta quinta-feira (30), durante uma reunião com o emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, Lula também tratou da liberação de um brasileiro que ainda é mantido refém pelo Hamas. “É de agradecimento ao Catar porque teve papel importante na liberação de brasileiros que estavam na Faixa de Gaza. Ainda tem mais brasileiros lá. Na liberação de um refém que ainda pode ser liberado por esses dias. E eu vim agradecer a ele”, disse o líder brasileiro. (R7)