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Cicatrizes no verão, cirurgião plástico explica

Com índices de radiação UV entre os mais altos do ano e aumento da exposição da pele, o verão se torna o maior inimigo da boa cicatrização — especialmente para quem passou por cirurgias plásticas, sofreu ferimentos recentes ou tem tendência a manchas. O alerta é do De acordo com o cirurgião plástico Dr. Leandro Gregório, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que explica por que os cuidados devem ser redobrados nessa época.

Sol: o principal vilão das cicatrizes

Segundo o especialista, a combinação de radiação ultravioleta, calor e aumento da produção de melanina cria o cenário perfeito para escurecer cicatrizes — e, muitas vezes, de forma permanente.

“Cicatriz recente nunca deve pegar sol. A pele ainda está em processo de reparo, extremamente vulnerável. Quando os raios UV atingem essa região, o risco de hiperpigmentação aumenta muito, e o escurecimento pode se tornar definitivo”, explica o Dr. Leandro.

Cicatrizes nos estágios iniciais (até 6 meses) tendem a reagir de forma mais intensa, podendo desenvolver:

  • manchas escuras,
  • desníveis de cor,
  • cicatriz hipertrófica mais evidente,
  • contraste aumentado em fotos e exposição solar.

O médico afirma que o sol não é o único problema. O calor também interfere no processo de cicatrização:

  • Aumenta a vasodilatação, favorecendo inchaço.
  • Intensifica o suor, prejudicando curativos e favorecendo irritações.
  • Eleva a liberação de melanina, o que agrava manchas.
  • Pode retardar a fase de organização das fibras de colágeno.

“No calor excessivo, o corpo produz mais melanina como defesa natural. Em uma cicatriz, essa melanina se deposita de forma irregular, criando manchas e pigmentações difíceis de tratar depois”, destaca o cirurgião.

O cuidado com as cicatrizes para cada tom de pele

Peles com mais melanina — morenas, pardas e negras — têm maior tendência à hiperpigmentação e ao aparecimento de queloides e cicatrizes hipertróficas, especialmente quando expostas ao sol ou ao calor intenso.

Já peles muito claras tendem ao vermelhidão persistente, queimaduras e manchas solares ao redor da cicatriz.

“Cada tom de pele tem um comportamento diferente na cicatrização. Em peles mais escuras, o risco de escurecimento é maior. Em peles claras, o risco é de queimaduras e manchas ao redor. Por isso, a proteção precisa ser adequada a cada tipo”, afirma o Dr. Leandro.

Como proteger cicatrizes no verão

1. Usar protetor solar físico Recomendado principalmente para cicatrizes recentes.

  • Forma uma barreira real contra a radiação.
  • Ideal FPS 50+ com óxido de zinco ou dióxido de titânio.

2. Reaplicar o filtro a cada 2 horas

3. Usar roupas com proteção UV

  • Blusas, faixas, chapéus e tecidos com trama fechada.

4. Evitar sol direto por pelo menos 60 a 90 dias após uma cirurgia

  • No rosto, o ideal são 120 dias ou mais.

5. Não expor cicatrizes imaturas

  • Mesmo 5 minutos de sol podem escurecer a pele recém-reparada.

6. Reduzir o calor local

  • Evite saunas, água muito quente, exercícios sob sol forte e curativos abafados.

7. Acompanhar o pós-operatório Laser, silicone em gel, placas e tratamentos clareadores podem acelerar a melhora.

Dr. Leandro ainda afirma que o verão, apesar de ser sinônimo de lazer, é a estação mais crítica para quem deseja uma cicatrização bonita e discreta. A combinação de sol forte, calor intenso e maior exposição corporal exige disciplina e orientação adequada. “Uma boa cicatriz não depende só da cirurgia, mas dos cuidados após ela. E no verão, cada minuto de exposição incorreta faz diferença no resultado final”, finaliza o médico.

Sobre Dr. Leandro de Paula Gregório cirurgião plástico
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Especialista pelo Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo.

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), também tem residência médica em Cirurgia Geral e do Trauma pelo Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte.

Atua com foco em cirurgias estéticas e reconstrutoras, com especial foco em contorno corporal, cirurgias pós-bariátricas e procedimentos estéticos e reconstrutoras das mamas e cirurgias estéticas da face.

É autor e coautor de diversos trabalhos científicos apresentados em congressos nacionais e internacionais de cirurgia plástica, além de ter participado de treinamentos (fellowship) e projetos de pesquisa em instituições de destaque no Canadá (Universidade de Montréal), França (Hôpital Pitié-Salpetrière, Paris) e Estados Unidos (Children’s Hospital of Pittsburgh, Pensilvânia). Atua nos hospitais Nove de Julho, Blanc, São Luiz Itaim – Rede D’Or e Vila Nova Star.