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El Niño chegou e pode ser muito forte

247 – O El Niño começou oficialmente e pode ganhar força nos próximos meses, com 63% de probabilidade de se tornar um evento “muito forte”, também chamado popularmente de Super El Niño, com impactos sobre chuvas, secas, furacões e temperaturas globais. As informações são da CNN, com base em relatório divulgado nesta quinta-feira (11) pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), dos Estados Unidos.

Segundo o relatório citado pela CNN, o fenômeno climático já apresenta sinais de intensificação no Oceano Pacífico tropical, onde águas excepcionalmente quentes e alterações nos ventos costumam provocar efeitos em cadeia sobre o clima em diferentes regiões do planeta.

O Centro de Previsão Climática da NOAA atribuiu 100% de probabilidade de continuidade do El Niño durante o outono no Hemisfério Norte e chances extremamente elevadas de persistência ao longo do inverno. O órgão também indicou que o evento pode estar entre os maiores El Niños registrados desde 1950.

Para que um episódio seja classificado como Super El Niño, as temperaturas das águas no Pacífico tropical precisam ficar mais de 2 graus Celsius acima da média. De acordo com a previsão, alguns modelos computacionais considerados confiáveis apontam que esse patamar pode ser amplamente superado.

Como o fenômeno se forma

O El Niño é um padrão climático periódico que ocorre no Oceano Pacífico tropical. Ele envolve o aquecimento anormal das águas superficiais no Pacífico central e oriental, além de mudanças nos ventos que influenciam a circulação atmosférica.

Nos últimos meses, grandes volumes de água excepcionalmente quente se deslocaram do Pacífico ocidental em direção ao Pacífico tropical oriental. Esse movimento foi impulsionado por alterações na direção dos ventos e ocorreu em profundidades estimadas entre 180 e 300 metros abaixo da superfície do oceano.

Agora, essa massa de água quente começa a emergir mais próxima da América do Sul, em uma dinâmica semelhante à observada em eventos intensos de El Niño registrados no passado.

Eventos de Super El Niño são considerados raros. Os episódios mais recentes ocorreram em 2015-2016, 1997-1998 e 1982-1983.

Efeito sobre o calor global

O El Niño transfere grande quantidade de energia térmica do oceano para a atmosfera. Por isso, o fenômeno tende a elevar as temperaturas médias globais da superfície, somando-se à tendência de aquecimento associada à poluição provocada por combustíveis fósseis.

De acordo com a avaliação apresentada, esse efeito aumenta a possibilidade de que 2027 supere 2024 e estabeleça um novo recorde como o ano mais quente já registrado no planeta.

A incerteza sobre os impactos deste evento é maior porque o El Niño atual ocorre em um cenário de aquecimento global já avançado. O relatório ressalta que nunca houve um El Niño, muito menos um Super El Niño, em um contexto de temperatura de fundo tão elevada quanto o atual.

como a NOAA monitora o El Niño

O Centro de Previsão Climática acompanha o fenômeno por meio do Índice Oceânico Niño, uma média móvel de três meses das anomalias de temperatura da superfície do mar na chamada “região Niño” do Oceano Pacífico.

Essa medição ajuda a determinar a intensidade do fenômeno e a comparar o evento atual com episódios anteriores. Desde 1950, ao menos quatro El Niños foram classificados como “muito fortes”, categoria associada ao chamado Super El Niño.

Impactos possíveis pelo mundo

O El Niño aumenta a probabilidade de determinados eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes e secas. Os efeitos, no entanto, variam de acordo com a região.

Na América do Norte, o fenômeno costuma influenciar a temporada de furacões. Embora possa favorecer a formação de tempestades no Pacífico central e oriental, tende a reduzir o número de furacões no Atlântico. Em eventos mais fortes, esses efeitos podem se tornar mais evidentes.

Nos Estados Unidos, os impactos aparecem com mais clareza durante o inverno. A tendência é de temperaturas acima da média no norte do país, no oeste do Canadá e no Alasca, ainda que períodos de frio não estejam descartados. Já o sul dos Estados Unidos costuma enfrentar tempo mais úmido e frio, com aumento da atividade de tempestades.

A Califórnia também pode registrar eventos mais frequentes de rios atmosféricos, quando correntes de ar carregadas de umidade atingem a costa. Ainda assim, permanece difícil prever quais áreas do estado seriam mais afetadas.

Secas, chuvas intensas e ondas de calor

Em regiões como Austrália e Indonésia, o El Niño costuma aumentar o risco de secas e ondas de calor, elevando a ameaça de incêndios florestais e de problemas no abastecimento de água.

Na Índia e no sudeste asiático, as chuvas de monção tendem a diminuir durante o verão, com sinais de que esse processo já pode estar em andamento. A redução da precipitação pode intensificar extremos de calor nessas áreas.

O Caribe também costuma sofrer com secas em anos de El Niño. Em partes do sul e do leste da Ásia, invernos mais quentes e secos são considerados típicos.

No sudeste da África, a seca pode se agravar durante o verão do Hemisfério Sul, entre dezembro e fevereiro. Em áreas próximas ao Chifre da África, por outro lado, há risco de chuvas torrenciais entre outubro e janeiro.

Efeitos na América do Sul

Na América do Sul, uma parte do sudeste do continente tende a registrar chuvas mais intensas durante anos de El Niño. O sudeste do Brasil, por sua vez, costuma apresentar temperaturas acima da média.

Uma faixa do norte da América do Sul, que se estende até partes da América Central, tende a ficar mais seca do que o normal entre julho e dezembro.

O noroeste sul-americano, incluindo o Peru, é mais vulnerável a chuvas intensas entre janeiro e maio, devido à proximidade com águas oceânicas excepcionalmente quentes.

Oceanos e economia também podem ser afetados

Eventos de El Niño também podem provocar ondas de calor marinhas generalizadas e branqueamento de corais. Com águas mais quentes, os corais ficam mais sensíveis, e as próprias ondas de calor oceânicas podem influenciar padrões climáticos regionais.

Além dos impactos ambientais, estudos citados no relatório indicam que El Niños intensos podem reduzir o crescimento econômico de países, em razão de perdas causadas por desastres, interrupções no abastecimento de alimentos e outros efeitos associados ao clima extremo.

Apesar das projeções, cada El Niño apresenta características próprias. Mesmo eventos muito fortes não seguem exatamente o padrão esperado, o que significa que ainda podem ocorrer mudanças inesperadas nos impactos regionais ao longo dos próximos meses. (fonte: Brasil 247)