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Preso pela PF, pai de Vorcaro doou R$ 1 milhão a partido Novo, de Zema, em 2022

O diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais recebeu, em 2022, uma doação de R$ 1 milhão de Henrique Vorcaro, preso nesta quinta-feira (14/5), pela Polícia Federal (PF) em Nova Lima, na Grande BH. Henrique é pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e protagonista do maior escândalo financeiro da história do país. O valor doado à legenda consta nas prestações de contas partidárias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A divulgação sobre a contribuição do ‘patriarca’ dos Vorcaro foi feita pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em ataque ao ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, o principal quadro do Novo hoje no país. A divulgação feita por Eduardo se deu na esteira das críticas de Zema ao senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que admitiu ter pedido uma quantia milionária a Daniel Vorcaro para custear um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Isso aqui seria, nas suas palavras, “fazer a mesma coisa que o PT”, Zema?”, questionou Eduardo em comentário à publicação em que Zema criticou Flávio pela relação com Daniel Vorcaro. A doação, em questão, foi feita no dia 4 de agosto de 2022, às vésperas do início da campanha de reeleição de Romeu Zema. O Novo justificou que a quantia foi usada para ‘manutenção do partido’.

Na ocasião, dados do TSE mostram que Zema recebeu R$ 16,8 milhões do diretório estadual do Novo para custear a campanha que terminou vitoriosa no primeiro turno. Contudo, o detalhamento dos valores repassados pelo Novo a Zema não mencionam nenhuma quantia de Vorcaro, conforme os dados disponíveis. Em nota, se defendeu das acusações de Eduardo.

“O dinheiro doado foi para o partido, não para mim. Nenhum centavo entrou na minha campanha. A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024”, disse o ex-governador.

“A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente. Está registrada na Justiça Eleitoral. Não tenho o rabo preso. Sou o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis. Não vou recuar”, complementou Zema. A reportagem também procurou o presidente do diretório estadual do Novo em Minas, Christopher Laguna, mas nenhum retorno foi enviado.

O JORNAL O TEMPO também pediu um posicionamento à executiva nacional do Novo que, em nota, confirmou a doação de Henrique Vorcaro, mas destacou que, na época, as ilegalidades do Master ‘eram desconhecidas’. “Desde que o caso veio à tona, o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido”, diz o texto.

Ainda conforme a nota, o Novo jamais escondeu a origem de suas doações, e não condiciona a atuação política aos interesses dos milhares de doadores que contribuem voluntariamente com o partido. “Essa sempre será a postura do Novo: independência absoluta, compromisso com a legalidade e coragem para denunciar quaisquer indícios de irregularidade, independentemente de quem esteja envolvido”, finaliza. (POR JORNAL O TEMPO/BH)