Aço Brasil defende retomada de acordo com os EUA
A indústria brasileira do aço permanece confiante na diplomacia como caminho principal para solucionar as barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Em nota divulgada nessa quinta-feira (3), o Instituto Aço Brasil destacou que a medida anunciada na véspera (2/4) pelo presidente norte-americano Donald Trump — sobre reciprocidade tarifária — não acrescenta novas tarifas às já vigentes, mantendo os 25% aplicados desde fevereiro.
Essa taxa, reinstaurada no início de 2025 por Trump em seu segundo mandato, eliminou o acordo de cotas firmado entre Brasil e EUA em 2018, que estava em vigor até o último dia 11 de março. O pacto permitia que o aço brasileiro fosse importado sem tarifas, desde que respeitadas cotas anuais de 3,5 milhões de toneladas de produtos semiacabados e 687 mil toneladas de laminados.
Esse entendimento foi fruto de longas tratativas diplomáticas durante o primeiro governo de Trump, em reação às medidas da chamada Seção 232, criada em maio de 2018. A norma impôs alíquota de 25% sobre a importação de aço de qualquer origem, como justificativa de segurança nacional.
Com o fim do acordo, o setor nacional passou a articular, junto ao governo brasileiro e à diplomacia internacional, a reativação do mecanismo de cotas. Essa negociação, segundo o Instituto Aço Brasil, é estratégica não apenas para a indústria nacional, mas também para as siderúrgicas norte-americanas, que demandaram cerca de 6 milhões de toneladas de placas de aço ao longo de 2024 — das quais 3,4 milhões foram fornecidas pelo Brasil.
Alerta sobre o aço chinês
Foto: Ricardo Matsukawa/Divulgação/Instituto Aço Brasil
Sergio Leite de Andrade, presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e vice-presidente de Assuntos Estratégicos da Usiminas, se manifestou sobre o cenário.Ele ressaltou a preocupação com o impacto das tarifas americanas no redirecionamento do comércio global:
“As tarifas impostas pelo Governo Trump a nível global vão causar um desvio ainda maior do comércio mundial para o Brasil, principalmente no caso do aço, onde a importação de aço chinês já atingiu volumes elevadíssimos nos últimos anos e continua crescendo, o que torna urgente a adoção de novas medidas de defesa comercial no Brasil.”, afirmou.Para o Instituto Aço Brasil, não retomar esse canal comercial representa prejuízo mútuo e compromete a cadeia produtiva bilateral. Por isso, o setor reforça o apelo pela reabertura do diálogo entre os dois países, destacando que a retomada do fluxo de exportações é de interesse comum.